Uma ação coletiva apresentada em 24 de janeiro de 2026 em um tribunal federal em San Francisco (EUA) levantou sérias dúvidas sobre o compromisso do WhatsApp com a privacidade dos usuários. Segundo o processo, a empresa Meta Platforms — dona do aplicativo — teria mecanismos que permitem acessar, armazenar e até analisar o conteúdo de mensagens que deveriam ser protegidas por criptografia de ponta a ponta.
Acusações centrais da demanda
De acordo com o documento judicial, usuários de diferentes países (incluindo Brasil, Austrália, Índia, México e África do Sul) alegam que:
- O WhatsApp teria capacidade técnica de acessar chats privados, contrariando suas afirmações públicas de que apenas o remetente e o destinatário conseguem ver o conteúdo das mensagens.
- Funcionários ou ferramentas internas da empresa poderiam, supostamente, visualizar e analisar mensagens, segundo depoimentos de supostos informantes anônimos citados na ação.
- Meta teria criado uma “sensação falsa de segurança” ao afirmar que a criptografia impede o acesso por terceiros.
Os advogados dos autores da ação pedem que o caso seja reconhecido oficialmente como ação coletiva global, o que ampliaria seu alcance para milhões de usuários afetados, incluindo aqueles que usam o serviço fora dos EUA.
Defesa da Meta
A Meta rejeita veementemente as acusações. Porta-vozes da empresa afirmam:
- As alegações são “categoricamente falsas e absurdas”.
- O WhatsApp utiliza criptografia de ponta a ponta via Signal Protocol desde 2016, o que garante que nem mesmo a própria empresa pode ler o conteúdo das mensagens durante a transmissão ou no armazenamento normal do serviço.
- A empresa planeja até buscar sanções legais contra os advogados que representam os demandantes.
Apesar da negação, o processo não entra em detalhes técnicos públicos — como registros de servidor ou provas de que o mecanismo interno realmente decripta mensagens —, o que pode tornar a disputa judicial complexa e prolongada.
Contexto e implicações
O WhatsApp afirma há anos que a criptografia de ponta a ponta protege:
- Mensagens de texto e voz
- Fotos e vídeos
- Chamadas áudio e vídeo
- Status e localização em tempo real
com a promessa de que apenas as chaves nos dispositivos dos usuários permitem a leitura desses dados.
Mas as acusações lançam luz sobre um debate maior no setor: até que ponto plataformas de mensagens realmente conseguem manter o sigilo absoluto dos conteúdos, especialmente quando consideramos aspectos como:
- Backups em nuvem (que podem não ser criptografados por padrão)
- Coleta de metadados (quem fala com quem, quando e por quanto tempo)
- Ferramentas automatizadas de detecção de abuso
Especialistas afirmam que, mesmo sem quebrar a criptografia, essas práticas podem ser usadas para inferir informações sensíveis ou expor padrões de uso que muitos usuários consideram privados.
O que vem a seguir
O processo ainda está em estágio inicial. O tribunal ainda precisa decidir se aprova o status de ação coletiva, um passo que pode definir o futuro do caso e pressionar a Meta a defender suas práticas de segurança e privacidade em público e em juízo.







