O Bitcoin sofreu uma correção de 7% entre quinta e sexta-feira, após não conseguir recuperar o patamar de US$ 74 mil. O movimento acompanhou dados econômicos fracos dos Estados Unidos e a alta nos preços do petróleo, em meio ao sétimo dia do conflito entre Israel e Irã. Com isso, investidores passam a questionar se a criptomoeda conseguirá manter suporte acima dos US$ 65 mil.
Impacto da Economia e geopolítica
Normalmente, um cenário econômico deteriorado abre espaço para estímulos monetários, o que impulsiona o mercado de ações diante da expectativa de maior liquidez. Entretanto, desta vez, o índice S&P 500 recuou, refletindo um sentimento geral de aversão ao risco que eliminou os ganhos do Bitcoin registrados na quarta-feira.
Nos Estados Unidos, as vendas no varejo caíram 0,2% em janeiro na comparação com o mês anterior, enquanto o país perdeu 92 mil empregos em fevereiro. Apesar do enfraquecimento do mercado de trabalho, o mercado não acredita que o Federal Reserve irá reduzir as taxas de juros em breve, principalmente devido à pressão inflacionária gerada pelo aumento nos custos de energia.
O mercado de títulos do Tesouro dos EUA precifica atualmente uma chance de 78% de que as taxas de juros permaneçam estáveis entre 3,5% e 3,75% até o final de abril. Nesse cenário, o ouro se valorizou, enquanto o índice Russell 2000, que reúne ações de pequenas empresas, atingiu a mínima em dois meses. A queda do Bitcoin abaixo dos US$ 85 mil no final de janeiro comprometeu sua fama de ativo não correlacionado, especialmente diante da valorização da prata, que se tornou o segundo ativo mais valioso em termos de capitalização.
Preocupações com o mercado de trabalho
Além dos efeitos da guerra, o avanço da automação por meio da inteligência artificial preocupa investidores, que temem uma nova onda de demissões corporativas. O presidente do Federal Reserve de Kansas City, Jeff Schmid, destacou que a IA vem substituindo funções antes desempenhadas por trabalho manual, ao mesmo tempo em que o envelhecimento da população americana provoca mudanças estruturais no mercado de trabalho.
Guerra e crédito privado pressionam
O prolongamento do conflito no Oriente Médio deve elevar os gastos do governo americano, limitando sua capacidade fiscal para novos estímulos econômicos. Investidores também demonstram receio com o aumento dos custos logísticos além do setor de commodities, evidenciado pela suspensão temporária de duas rotas marítimas da empresa Maersk que ligam o Oriente Médio à Ásia e Europa.
O teste do Bitcoin no nível dos US$ 68 mil sugere que os níveis técnicos podem estar sendo ofuscados por eventos geopolíticos que impactam os mercados de petróleo e energia, refletindo a incerteza sobre o crescimento global. A atual fraqueza dos ativos de risco parece mais um reflexo da baixa visibilidade macroeconômica do que um colapso estrutural.
No mercado de crédito privado dos EUA, sinais de nervosismo aumentam. A blackrock limitou retiradas de um de seus maiores fundos de crédito após um aumento nas solicitações de resgate, enquanto o fundo principal da Blackstone registrou um recorde de 7,9% das cotas entregues para resgate, demonstrando a ansiedade dos investidores de varejo.
Apesar disso, o spread ajustado por opção para empresas de maior risco permanece em torno de 3%, dentro da faixa normal dos últimos seis meses. Em períodos de crise econômica severa, esse indicador costuma ultrapassar 5%, marca vista pela última vez em março de 2023. Dessa forma, não há indícios claros de que o Bitcoin romperá o suporte dos US$ 65 mil, mesmo diante da incerteza sobre a trajetória do crescimento econômico global.

