American Bitcoin Corp. (ABTC), miner de Bitcoin apoiada pela família Trump, registrou um prejuízo líquido de US$ 59,5 milhões no quarto trimestre de 2025, apesar de ter aumentado sua receita em 22% em relação ao trimestre anterior, alcançando US$ 78,3 milhões. Os dados foram divulgados no relatório financeiro mais recente da empresa e no formulário 8-K enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).
Desempenho financeiro e Mineração
A ABTC apresentou uma margem bruta de 53% no quarto trimestre e afirmou ter minerado Bitcoin com um desconto de 53% em relação ao preço à vista. Um prejuízo não caixa significativo relacionado aos ativos digitais contribuiu para um prejuízo líquido anual de US$ 153,2 milhões, principalmente devido à desvalorização pelo valor justo das suas reservas de Bitcoin.
Eric Trump, cofundador e diretor de estratégia da empresa, destacou que a American Bitcoin encerrou 2025 com 5.401 BTC em seu balanço, número que já ultrapassou 6.000 Bitcoins. Além disso, ele ressaltou que a companhia foi listada na Nasdaq em setembro do ano passado.
A empresa também captou US$ 150,5 milhões em receitas brutas no quarto trimestre por meio de seu programa de venda de ações no mercado, estratégia que visa financiar a acumulação de Bitcoin. Entre o início do segundo trimestre e o final do ano, a mineradora extraiu 1.654 Bitcoins, sendo 783 no último trimestre, o que representa cerca de um terço do saldo final de BTC.
Queda nas ações e contexto do mercado
Apesar da produção consistente de Bitcoin, as ações da ABTC caíram 85% nos últimos seis meses, segundo dados do Yahoo Finance. Esse desempenho negativo ocorre em meio a um cenário desafiador tanto para mineradoras de Bitcoin quanto para projetos ligados à família Trump no Mercado de Criptomoedas.
Além da mineradora, o token World Liberty Financial (WLFI), outro projeto associado a Trump, terminou 2025 muito abaixo de suas máximas iniciais, refletindo o desgaste dos investidores em relação ao “Trump trade” em ativos digitais. A memecoin Official Trump (TRUMP), também vinculada à marca, sofreu uma queda de 87% desde seu pico de cerca de US$ 44 em janeiro de 2025, sendo negociada perto de US$ 3,50 atualmente.
Mudanças estratégicas no setor de mineração
A pressão no mercado tem levado grandes mineradoras de Bitcoin a diversificarem suas operações. A Marathon (MARA), por exemplo, anunciou recentemente uma expansão para infraestrutura de data centers focados em inteligência artificial, direcionando parte do negócio para computação de alto desempenho, além da mineração.
No mesmo dia, a Bitdeer (BTDR) decidiu liquidar suas reservas de Bitcoin, zerando seu tesouro para priorizar liquidez e reinvestimento. Já a Hut 8 (HUT) reportou um prejuízo líquido de US$ 279,7 milhões no quarto trimestre, apesar de também ter direcionado recursos para o setor de inteligência artificial.
Essas movimentações refletem uma mudança no modelo tradicional de “minerar e acumular” adotado por mineradoras como a American Bitcoin, que enfrenta desafios significativos em um ambiente de mercado mais volátil e competitivo.

