Bitcoin

Analistas descartam manipulação da Jane Street e demanda por ETF de Bitcoin cresce

Geraldo Manuel
fevereiro 27, 2026

Rumores de venda programada de Bitcoin pela Jane Street ganham atenção, mas especialistas descartam manipulação

Investidores e entusiastas do Mercado de Criptomoedas têm apontado a empresa de trading quantitativo Jane Street como responsável por uma suposta venda diária programada de Bitcoin às 10h da manhã (horário de Nova York), que teria pressionado o preço da criptomoeda. A suspeita ganhou força após a Jane Street ser processada pelo administrador judicial da Terraform Labs, que acusa a empresa de insider trading relacionado ao colapso do ecossistema da stablecoin algorítmica Terra, em maio de 2022. No entanto, analistas de mercado afirmam que os dados não indicam um padrão consistente de venda coordenada pela companhia, nem evidenciam que uma única empresa possa manipular o Bitcoin a ponto de desencadear um mercado prolongado de baixa.

Acusações e análises divergentes

O processo contra Jane Street motivou a especulação sobre um dumping programado de Bitcoin, especialmente vinculado à sua exposição ao ETF iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock. O influenciador de Criptomoedas Justin Bechler sugeriu que a empresa poderia estar utilizando estratégias complexas de hedge, como opções de venda e contratos futuros, para mascarar uma posição líquida vendida, enquanto aparenta deter posições compradas no ETF. Segundo ele, a empresa realizaria vendas coordenadas de Bitcoin às 10h para manipular o preço e comprar o ETF com desconto.

Por outro lado, Julio Moreno, chefe de pesquisa da CryptoQuant, ressaltou que esse tipo de operação — comprar exposição à vista enquanto vende futuros — é comum entre fundos delta-neutros que buscam capturar spreads, não movimentos direcionais de preço. Além disso, o último relatório 13-F da Jane Street revelou participações em empresas de Mineração de bitcoin, como Bitfarms, Cipher Mining e Hut 8.

Contexto do mercado de criptomoedas

Enquanto as acusações contra Jane Street repercutem, o mercado de Bitcoin apresenta sinais de recuperação na demanda por ETFs à vista, após cinco semanas consecutivas de saídas líquidas. Dados da Farside Investors indicam que ETFs de Bitcoin listados nos EUA receberam mais de US$ 1 bilhão em entradas líquidas em três dias consecutivos, incluindo US$ 254 milhões somente na quinta-feira.

No segmento de Ether (ETH), a maior criptomoeda da rede Ethereum, as carteiras corporativas enfrentam dificuldades. A Bitmine Immersion Technologies, maior detentora corporativa de ETH, acumula uma perda não realizada estimada em US$ 8,8 bilhões, refletindo o declínio de cerca de 60% do preço do Ether nos últimos seis meses. Apesar disso, a empresa continua adquirindo tokens, sinalizando confiança em sua tese de investimento.

Vitalik Buterin reduz saldo em Ether

O cofundador da Ethereum, Vitalik Buterin, diminuiu sua reserva de Ether em cerca de 17 mil ETH no último mês, após anunciar a destinação de US$ 45 milhões em tokens para projetos focados em privacidade. Análises on-chain apontam que as vendas foram realizadas por meio de múltiplas operações menores em exchanges descentralizadas, estratégia usada para minimizar o impacto no mercado.

Aave atinge marco histórico no DeFi

No setor de finanças descentralizadas (DeFi), o protocolo Aave ultrapassou US$ 1 trilhão em volume acumulado de empréstimos, consolidando sua posição como um dos pilares do sistema financeiro on-chain. O CEO da Aave Labs, Stani Kulechov, destacou a importância do protocolo para a construção de uma rede global e eficiente de liquidez, que conecta construtores, bancos e fintechs. Em agosto, a empresa lançou o Aave Horizon, mercado de empréstimos dedicado a investidores institucionais e empresas de finanças tradicionais.

Mudança necessária no modelo de DeFi

Michael Egorov, fundador da Curve Finance, afirmou que o setor de DeFi precisa abandonar incentivos inflacionários baseados na emissão de tokens para sustentar seu crescimento. Segundo ele, os protocolos devem focar em geração de receita real para atrair liquidez, já que o ambiente especulativo do “verão DeFi” de 2020 não se sustenta mais. Dados da DefiLlama mostram uma queda de cerca de 38% no valor total bloqueado (TVL) em DeFi nos últimos seis meses, refletindo esse ajuste no mercado.

Panorama das criptomoedas

De acordo com dados do Cointelegraph Markets Pro e TradingView, a maioria das 100 maiores criptomoedas por valor de mercado terminou a semana com valorização. O token Pippin (PIPPIN) liderou os ganhos, subindo 55%, seguido pelo Decred (DCR), com alta superior a 44%.

Esses movimentos refletem a dinâmica e as tensões atuais no Mercado cripto, que segue acompanhando desdobramentos legais, estratégias institucionais e mudanças estruturais no ecossistema financeiro descentralizado.

⚠️ Aviso Importante: Este artigo é apenas informativo e não constitui recomendação ou conselho de investimento. Criptomoedas são ativos de alto risco. Consulte um profissional qualificado antes de investir. Leia o disclaimer completo.

Geraldo Manuel

Escritor e especialista em geopolítica, Geraldo Manoel acompanha o mercado de criptomoedas desde 2018. Com experiência na análise de cenários globais e seus impactos no setor cripto, escreve para o Coin360 desde 2023, trazendo conteúdos voltados à compreensão estratégica do mercado e suas movimentações.
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