A rede Bitcoin atingiu a marca de 20 milhões de moedas mineradas, restando apenas 1 milhão de bitcoins a ser extraído nos próximos cem anos. Esse marco reforça a escassez da criptomoeda, que possui um limite máximo de 21 milhões de unidades.
Escassez reforça valor do Bitcoin
Segundo David Eng, sócio da Energy Co, o mercado está prestes a vivenciar uma nova fase: “Um ativo global com quase nenhum novo suprimento disponível”. Atualmente, cerca de 450 bitcoins são minerados diariamente, número que diminui pela metade a cada quatro anos devido ao evento conhecido como halving. Com apenas um milhão de bitcoins restantes, a previsão é que o último seja minerado por volta do ano 2140.
Para especialistas, a oferta finita do Bitcoin oferece regras claras e previsíveis, algo valorizado especialmente no campo financeiro. “O cronograma de emissão é transparente por décadas à frente. Pessoas valorizam regras previsíveis, sobretudo quando se trata de dinheiro”, afirmou o analista Zagury. Tommy Rogulj, gerente de portfólio da corretora Swyftx, acrescenta que o Bitcoin é um ativo com limite rígido, permissionless e neutro, operando com uma curva de oferta transparente que não pode ser expandida como moedas fiduciárias. Esse aspecto ganha relevância em um mundo marcado por conflitos e incertezas tecnológicas.
Em relatório divulgado em dezembro, a gestora Grayscale Investments destacou que um sistema monetário digital com oferta transparente, previsível e escassa é uma ideia simples, mas que tem ganhado apelo diante dos riscos crescentes associados às moedas fiduciárias.
Impacto no Preço do Bitcoin
Apesar do marco histórico, analistas do Mercado cripto não acreditam que a marca de 20 milhões de bitcoins minerados tenha impacto significativo no preço da criptomoeda a curto prazo. Zagury compartilha essa visão e ressalta que fatores como liquidez e o cenário macroeconômico continuam a dominar o mercado. Ele aponta, no entanto, que a combinação de escassez e política monetária previsível pode ser um fator poderoso no longo prazo, uma vez que mercados tendem a valorizar sistemas confiáveis.
Na data da publicação, o preço do Bitcoin estava em torno de US$ 68.670, representando uma queda de aproximadamente 19% nos últimos 12 meses, conforme dados do CoinMarketCap.
Futuro da rede após esgotamento
Uma das principais dúvidas entre entusiastas do Bitcoin é o que ocorrerá quando o último bitcoin for minerado, previsto para 2140. Existe preocupação de que a segurança da rede possa ser afetada, já que os mineradores deixarão de receber novas moedas como recompensa. A expectativa é que, a partir desse momento, as taxas de transação se tornem o principal incentivo para manter a rede segura. Contudo, especialistas alertam para a possibilidade de aumento nessas taxas, o que pode impactar a usabilidade da criptomoeda.
O debate sobre o ciclo de quatro anos do Bitcoin, que envolve eventos como o halving e sua influência nos preços, também continua em evidência, com análises recentes indicando o fim de discussões sobre sua validade.
Com a aproximação do esgotamento da oferta de bitcoins, o mercado observa atentamente os desdobramentos dessa característica única, que distingue o Bitcoin das moedas tradicionais e reforça seu papel como ativo digital escasso e previsível.

