Bitcoin demonstra resiliência durante guerras comerciais e injeções de liquidez, apesar do temor inicial no cenário macroeconômico. Atividades de Mineração permanecem estáveis, e traders profissionais aumentam posições compradas nos futuros da CME, indicando compras na baixa.
Nos últimos 18 dias, o Bitcoin (BTC) tem negociado abaixo da marca de US$ 75 mil, gerando apreensão entre investidores. A retração dos mercados acionários globais e o novo aumento das tarifas de importação dos EUA para 15%, determinado pelo ex-presidente Donald Trump, elevaram a aversão ao risco no mercado.
Historicamente, o Bitcoin tende a superar períodos de instabilidade macroeconômica. Mineradores mantêm sua atuação firme, enquanto traders profissionais aproveitam quedas para ampliar exposição.
Em 2 de abril de 2025, a administração Trump impôs tarifas recíprocas a quase todos os parceiros comerciais, agravando a tensão com a aplicação de tarifas adicionais a 75 países, incluindo uma taxa de 34% para a China em 9 de abril. Na mesma época, o Bitcoin atingiu uma mínima de cinco meses em US$ 74.600, seguida por uma alta de 38% no mês seguinte.
Em momentos de incerteza, investidores tendem a buscar segurança em dinheiro e títulos públicos, e o Bitcoin ainda não é visto como porto seguro pela maioria. Contudo, quando governos precisam injetar liquidez para estimular a Economia, a criptomoeda frequentemente apresenta desempenho superior.
O Federal Reserve dos EUA empresta dinheiro garantido por títulos do Tesouro para manter a liquidez do mercado, medida que não representa uma injeção direta, mas indica condições temporárias de balanço. Picos nesse indicador, como os US$ 100 bilhões registrados em 16 de março de 2020, historicamente marcam reversões na tendência de preço do Bitcoin.
O crash da COVID-19 em 2020 iniciou uma valorização de meses, levando o Bitcoin de US$ 4.400 a US$ 42.000, contrariando previsões negativas sobre seu desempenho a longo prazo. Padrões semelhantes podem se repetir em 2026 caso as condições de liquidez se agravem.
No mercado de ações, a Nvidia divulgará resultados trimestrais após o fechamento da bolsa dos EUA na quarta-feira, em meio a preocupações com o aumento da dívida no setor de tecnologia. Empresas como Coreweave e Oracle já registraram quedas superiores a 50% em relação a seus máximos históricos.
Apesar do enfraquecimento do setor de inteligência artificial, a Mineração de bitcoin mostra recuperação após queda de 25% no hashrate em janeiro. Mineradores ASIC lançados em 2024 e início de 2025 continuam lucrativos mesmo com custo de energia de US$ 0,07 por quilowatt-hora.
O recuo dos temores relacionados ao chamado “miner death spiral” pode ter estimulado o otimismo entre gestores profissionais. Grandes especuladores, incluindo fundos de hedge, passaram de posições líquidas vendidas para líquidas compradas nos futuros de Bitcoin da CME, segundo relatório da CFTC divulgado na semana passada. Analistas destacam que mudanças similares no passado precederam fundos significativos no preço do Bitcoin.
Embora não haja um indicador definitivo que confirme o fundo do ciclo em US$ 60.200 no dia 6 de fevereiro, a combinação de preocupações com liquidez, avaliação excessiva do setor de IA e a resiliência da mineração pode impulsionar o preço do Bitcoin de volta a patamares próximos a US$ 75 mil em curto prazo.






