O renomado analista on-chain Willy Woo, considerado um dos principais especialistas em métricas fundamentadas na atividade da rede Bitcoin, levantou um alerta relevante para o mercado cripto nesta segunda-feira (16 de fevereiro de 2026): a tendência de valorização do Bitcoin em relação ao ouro — que vinha sendo construída há mais de uma década — foi oficialmente rompida.
Fim de um ciclo? A quebra de uma tendência de mais de uma década
De acordo com Woo, gráficos e indicadores que acompanham a relação BTC/XAU (Bitcoin versus Ouro) mostram que, por cerca de 12 anos — desde 2010 — o Bitcoin vinha superando o ouro em valor relativo e poder de compra. Essa trajetória histórica, sustentada por ciclos econômicos favoráveis e pela crescente adoção da criptomoeda como reserva de valor digital, parece ter mudado de rumo recentemente.
“Bitcoin deveria valer MUITO MAIS em relação ao ouro. Deveria. Mas isso não está acontecendo. A tendência de valorização foi rompida desde que o risco quântico entrou no radar do mercado”, escreveu Woo em uma publicação na rede X.
Computação quântica — ameaça ou hipótese antecipada?

O cerne da análise de Woo está na crescente preocupação do mercado com a evolução da computação quântica — um tipo de tecnologia que, no futuro, pode ser capaz de quebrar a criptografia atualmente usada pelo Bitcoin para proteger endereços e chaves privadas.
- O que isso significa?
Teoricamente, um computador quântico suficientemente poderoso poderia recuperar chaves privadas de carteiras antigas — inclusive aquelas consideradas “perdidas”, gerando um impacto na oferta total de Bitcoin. - Quantos BTC estão em risco?
Estima-se que cerca de 4 milhões de bitcoins estão permanentemente inacessíveis por hoje — equivalentes a aproximadamente 25% a 30% do fornecimento total da rede. Esses BTC, se desbloqueados por avanços quânticos, poderiam reentrar no mercado e diluir a escassez, um dos pilares da tese de valor do Bitcoin.
Impacto no preço e na narrativa de escassez
Woo afirma que o mercado já começou a precificar antecipadamente esse risco, mesmo que a chegada real de computadores quânticos capazes de quebrar a criptografia do Bitcoin ainda esteja projetada para 5 a 15 anos no futuro.
Segundo ele, esse receio tem criado uma espécie de “desconto quântico” sobre o preço do BTC frente ao ouro — ao ponto de deter parte da força que o ativo digital vinha demonstrando historicamente em comparação ao metal precioso.
Debate na comunidade: medo técnico ou movimento de mercado?
A observação de Woo não é unânime. Alguns analistas sugerem que a atual fraqueza do Bitcoin frente ao ouro pode ser explicada por fatores macroeconômicos, como ciclos de liquidez, regime de juros global ou simplesmente consolidação técnica após períodos de forte valorização, e não necessariamente pelo risco de computação quântica.
Um investidor identificado nas redes chamou a ideia de Woo de uma “confusão entre medos técnicos e forças reais de mercado”, afirmando que a relação entre BTC e ouro segue sendo dominada por fluxos de capital e ciclos econômicos mais tradicionais.
Contexto macroeconômico: ouro em alta enquanto Bitcoin estaciona
Além disso, Woo contextualiza sua observação em um cenário econômico mais amplo: com o fim de um ciclo de dívida global e o aumento da demanda por ativos seguros e tangíveis, investidores e fundos soberanos podem estar preferindo o ouro em detrimento de ativos mais voláteis como o Bitcoin — justamente no momento em que a criptomoeda deveria se destacar como reserva de valor digital.
Olhando para o futuro
Embora a ruptura dessa tendência de longo prazo seja motivo de discussão, o próprio Woo não descarta perspectivas altistas para o Bitcoin no longo prazo, citando sua capacidade de adaptação tecnológica, escassez programada e potencial de adoção contínua.
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