O mês de abril marcou um importante avanço para o Bitcoin, que registrou um crescimento de aproximadamente 12%, atingindo cerca de US$ 79.500. Esse desempenho é considerado o melhor em mais de um ano, impulsionado por um cenário geopolítico que passou de tensões para uma desescalada cautelosa. O movimento desafiou a resistência de US$ 78.000, uma marca previamente identificada, e foi sustentado por um fluxo de capital mais paciente, uma melhora nas condições geopolíticas e um aumento no apetite ao risco nos mercados acionários.
Apesar desse otimismo, especialistas alertam que ainda se trata de um rali de mercado de baixa, sem confirmação de uma mudança de regime. O nível atual do Bitcoin continua a ser uma resistência, e as incertezas macroeconômicas ainda persistem. Embora a base do mercado esteja se fortalecendo, a confirmação de uma tendência de alta ainda não se concretizou.
Desempenho em abril
O desempenho de abril foi impulsionado por:
- Resultados positivos da Intel e da TSMC.
- Lançamento do novo modelo Mythos pela Anthropic.
O Índice de Semicondutores da Filadélfia subiu 47% nas quatro semanas seguintes ao mínimo de março, enquanto o Nasdaq registrou 13 dias consecutivos de alta, a primeira vez desde 1992, avançando 19% e atingindo uma nova máxima histórica.
Essa recuperação no apetite por risco se estendeu entre diversas classes de ativos, permitindo que o Bitcoin subisse de US$ 69.000 para US$ 79.500 no mesmo período.
Cenário geopolítico
No Oriente Médio, os Estados Unidos e o Irã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas a partir de 8 de abril. Inicialmente, o preço do petróleo caiu com a notícia, mas se recuperou na segunda metade do mês, à medida que se tornou evidente que um acordo duradouro não seria alcançado e que a instabilidade na região continuaria.
Política econômica
No âmbito da política econômica, o Departamento de Justiça dos EUA encerrou a investigação sobre o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, facilitando a nomeação de Kevin Warsh. Apesar disso, os mercados não projetam cortes nas taxas de juros para 2026, refletindo uma expectativa de que o novo presidente herde um cenário de inflação elevada, dificultando a flexibilização monetária.
A Economia dos Estados Unidos começou o segundo trimestre em condições razoáveis, com um crescimento anualizado de cerca de 2%. A desaceleração do consumo foi compensada por um aumento nos investimentos empresariais e uma queda na inflação. Contudo, o bloqueio iraniano e a crise energética crescente podem comprometer essa trajetória. Se o Estreito não for reaberto em breve, o mundo pode enfrentar um choque significativo na oferta de commodities essenciais, resultando em uma combinação de inflação alta e crescimento baixo, historicamente prejudicial para ativos de risco, incluindo o Bitcoin.
Perspectivas para o Bitcoin
Ao entrar no segundo trimestre, a principal questão para o Bitcoin é se conseguirá resistir a esses desafios, como fez em março e abril, ou se será impactado por uma nova alta do petróleo. A cautela continua sendo essencial: o preço do petróleo permanece elevado, e os danos econômicos já causados levarão tempo para se reverterem, independentemente do resultado das negociações.
Entretanto, para o Mercado de Criptomoedas, a mudança no tom das negociações foi significativa. Essa evolução reduziu a probabilidade de novos choques externos, abriu espaço para um aumento no apetite por risco e permitiu que a demanda estrutural pelo Bitcoin se manifestasse, em vez de permanecer contida por preocupações com manchetes negativas.