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Bomba: Processo acusa WhatsApp de monitorar conversas privadas de usuários

Geraldo Manuel
janeiro 27, 2026

Uma ação coletiva apresentada em 24 de janeiro de 2026 em um tribunal federal em San Francisco (EUA) levantou sérias dúvidas sobre o compromisso do WhatsApp com a privacidade dos usuários. Segundo o processo, a empresa Meta Platforms — dona do aplicativo — teria mecanismos que permitem acessar, armazenar e até analisar o conteúdo de mensagens que deveriam ser protegidas por criptografia de ponta a ponta.

Acusações centrais da demanda

De acordo com o documento judicial, usuários de diferentes países (incluindo Brasil, Austrália, Índia, México e África do Sul) alegam que:

  • O WhatsApp teria capacidade técnica de acessar chats privados, contrariando suas afirmações públicas de que apenas o remetente e o destinatário conseguem ver o conteúdo das mensagens.
  • Funcionários ou ferramentas internas da empresa poderiam, supostamente, visualizar e analisar mensagens, segundo depoimentos de supostos informantes anônimos citados na ação.
  • Meta teria criado uma “sensação falsa de segurança” ao afirmar que a criptografia impede o acesso por terceiros.

Os advogados dos autores da ação pedem que o caso seja reconhecido oficialmente como ação coletiva global, o que ampliaria seu alcance para milhões de usuários afetados, incluindo aqueles que usam o serviço fora dos EUA.

Defesa da Meta

A Meta rejeita veementemente as acusações. Porta-vozes da empresa afirmam:

  • As alegações são “categoricamente falsas e absurdas”.
  • O WhatsApp utiliza criptografia de ponta a ponta via Signal Protocol desde 2016, o que garante que nem mesmo a própria empresa pode ler o conteúdo das mensagens durante a transmissão ou no armazenamento normal do serviço.
  • A empresa planeja até buscar sanções legais contra os advogados que representam os demandantes.

Apesar da negação, o processo não entra em detalhes técnicos públicos — como registros de servidor ou provas de que o mecanismo interno realmente decripta mensagens —, o que pode tornar a disputa judicial complexa e prolongada.

Contexto e implicações

O WhatsApp afirma há anos que a criptografia de ponta a ponta protege:

  • Mensagens de texto e voz
  • Fotos e vídeos
  • Chamadas áudio e vídeo
  • Status e localização em tempo real

com a promessa de que apenas as chaves nos dispositivos dos usuários permitem a leitura desses dados.

Mas as acusações lançam luz sobre um debate maior no setor: até que ponto plataformas de mensagens realmente conseguem manter o sigilo absoluto dos conteúdos, especialmente quando consideramos aspectos como:

  • Backups em nuvem (que podem não ser criptografados por padrão)
  • Coleta de metadados (quem fala com quem, quando e por quanto tempo)
  • Ferramentas automatizadas de detecção de abuso

Especialistas afirmam que, mesmo sem quebrar a criptografia, essas práticas podem ser usadas para inferir informações sensíveis ou expor padrões de uso que muitos usuários consideram privados.

O que vem a seguir

O processo ainda está em estágio inicial. O tribunal ainda precisa decidir se aprova o status de ação coletiva, um passo que pode definir o futuro do caso e pressionar a Meta a defender suas práticas de segurança e privacidade em público e em juízo.

⚠️ Aviso Importante: Este artigo é apenas informativo e não constitui recomendação ou conselho de investimento. Criptomoedas são ativos de alto risco. Consulte um profissional qualificado antes de investir. Leia o disclaimer completo.

Geraldo Manuel

Escritor e especialista em geopolítica, Geraldo Manoel acompanha o mercado de criptomoedas desde 2018. Com experiência na análise de cenários globais e seus impactos no setor cripto, escreve para o Coin360 desde 2023, trazendo conteúdos voltados à compreensão estratégica do mercado e suas movimentações.
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