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O chefe de Assuntos Regulatórios da Binance no Brasil afirmou que a proposta de tributar operações com criptomoedas pode levar a uma fuga em massa de exchanges do país, além de enfraquecer o mercado regulado e empurrar usuários para plataformas no exterior ou ambientes não regulados.

Em declarações feitas em dois eventos recentes do setor, Thiago Sarandy criticou duramente a forma como o Banco Central do Brasil (BC) vem desenhando a regulamentação de criptoativos, especialmente no que tange a custos operacionais, obrigações de reporte e possíveis tributos sobre transações com ativos digitais.

Tributação transacional pode “destruir” o setor, diz executivo

Segundo Sarandy, a criação de um imposto específico sobre operações com criptomoedas — inclusive stablecoins — teria efeito “catastrófico” para o mercado brasileiro. Na visão do executivo, tal tributo tornaria as operações locais menos competitivas em comparação com plataformas estrangeiras e com alternativas descentralizadas, incentivando tanto usuários quanto exchanges a migrarem para fora do país.

“Um imposto transacional gerará efetivamente uma descentralização e uma fuga de todas as exchanges do Brasil”, afirmou Sarandy, ressaltando que até mesmo empresas com maior capacidade financeira, como a Binance, teriam dificuldades para adaptar produtos e serviços diante da nova carga regulatória.

Regulação inspirada no sistema bancário aumenta custos

O executivo também criticou o que chamou de “lógica muito inspirada” na regulação bancária tradicional, com exigências de capital mínimo elevado, diretores obrigatórios e controles rígidos que, segundo ele, podem criar barreiras de entrada e favorecer grandes grupos ou instituições financeiras já estabelecidas.

Ele destacou que os custos elevados podem inviabilizar produtos sofisticados, como operações com margem e derivativos, que são populares entre investidores mais avançados, e que as múltiplas obrigações de reporte entre diferentes órgãos só aumentam a complexidade para as exchanges.

Tensão em meio às mudanças regulatórias

A críticas ocorrem em um momento de intenso debate sobre o futuro do mercado cripto no Brasil. Em 2025, o Banco Central publicou resoluções que estabeleceram regras para a constituição e funcionamento de prestadores de serviço de ativos virtuais e equipararam algumas operações de cripto ao mercado de câmbio tradicional.

Paralelamente, especialistas e players do mercado discutem uma possível aplicação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) ou de outros tributos sobre movimentações com stablecoins e transferências internacionais em cripto. Propostas semelhantes, segundo relatos recentes, estão sendo estudadas por autoridades para combater o uso de criptoativos como forma de driblar tributos tradicionais.

Riscos e consequências para usuários e mercado

Críticos das propostas tributárias afirmam que aumentar custos e obrigações para as exchanges pode desencorajar a participação de empresas menores e reduzir a diversidade de serviços oferecidos aos usuários brasileiros. Alguns especialistas chegam a dizer que medidas tributárias sobre cripto, como a extensão do IOF para transações com stablecoins, podem deslocar volume de negócios para corretoras estrangeiras ou modelos peer-to-peer, com menor supervisão regulatória.

Conclusão

A discussão sobre tributos e regulamentação no setor cripto no Brasil está longe de ser concluída. Enquanto o mercado busca equilíbrio entre proteção ao investidor e competitividade, vozes importantes como a da Binance levantam alertas sobre os efeitos negativos que impostos transacionais e regras rígidas podem ter sobre o desenvolvimento do ecossistema e sobre a permanência de grandes exchanges no país.

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Sou Tor Field, editor-chefe e CEO do Coin360.com.br, portal brasileiro de referência em análise e previsão de preços de criptomoedas. Entrei nesse mercado em 2009. O Bitcoin valia centavos, os fóruns eram em inglês técnico e quase todo mundo achava que era golpe. Eu fiquei. Nos 15 anos seguintes acompanhei cada ciclo de perto: o primeiro halving, o colapso da Mt. Gox, o boom das ICOs em 2017, o inverno de 2018 (que eliminou 90% dos projetos), a entrada institucional em 2020 e os ETFs de Bitcoin aprovados nos Estados Unidos em 2024. No Coin360.com.br lidero a produção de análises baseadas em dados reais: histórico de preços, análise técnica, comportamento on-chain e contexto macro. Toda previsão que publicamos passa pela minha revisão antes de ir ao ar. Tenho opinião formada, explico o raciocínio por trás dela e assumo quando erro. O investidor brasileiro merece análise de qualidade no seu idioma, sem sensacionalismo e sem viés de venda. É por isso que o Coin360 existe.

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