Bitcoin enfrenta receios persistentes nos mercados de derivativos, mesmo durante a recente recuperação para a faixa dos US$ 70 mil, indicam dados recentes. Prêmios futuros mantêm-se bem abaixo dos níveis neutros, refletindo cautela entre investidores.
Na quarta-feira, o Bitcoin (BTC) alcançou novamente o patamar dos US$ 70 mil, após uma queda para US$ 62.500 na terça-feira. Embora os aportes em fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin tenham ajudado a estabilizar o sentimento do mercado, o impulso não foi suficiente para restaurar a confiança nos mercados de derivativos do ativo. Operadores seguem preocupados com fatores subjacentes que dificultam uma alta sustentada rumo aos US$ 75 mil.
ETFs de Bitcoin listados nos Estados Unidos registraram um ingresso líquido de US$ 764 milhões em dois dias, compensando parcialmente os US$ 1,2 bilhão em saídas nos oito pregões anteriores. Essas movimentações significativas são atribuídas principalmente à atividade institucional, indicando forte demanda quando os preços caem abaixo de US$ 65 mil.
Apesar dessa demanda, o interesse por posições alavancadas de alta em contratos futuros de BTC diminuiu consideravelmente. Na quinta-feira, o prêmio anualizado dos futuros de Bitcoin em relação ao mercado à vista estava em 2%, muito abaixo do limiar neutro de 5%. O momento altista tem estado ausente desde 31 de janeiro, data em que o Bitcoin perdeu o suporte dos US$ 85 mil, mantido por mais de nove meses. Dados do mercado de opções apontam que traders profissionais priorizam a proteção contra quedas.
Opções de venda (put) de Bitcoin eram negociadas com um prêmio de 14% em relação às opções de compra (call), em um indicador que normalmente varia entre -6% e +6% em mercados neutros. Isso evidencia que o medo ainda domina o cenário. Embora esse indicador tenha melhorado em relação aos 28% registrados na terça-feira, dias de recuperação até os US$ 70 mil não alteraram significativamente o panorama cauteloso dos operadores de derivativos.
Entre as teorias para a fraqueza recente do Bitcoin, está o impacto do crash de 10 de outubro de 2025, que eliminou US$ 19 bilhões em posições alavancadas no setor cripto, coincidindo com o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre a duplicação das tarifas de importação sobre produtos chineses. binance, uma das maiores exchanges, compensou US$ 283 milhões a usuários afetados por liquidações decorrentes de erros internos, mas negou qualquer envolvimento intencional no crash.
Outro fator que alimenta o pessimismo são as preocupações com a computação quântica, que levou o estrategista Christopher Wood, da Jefferies, a retirar o Bitcoin de sua carteira modelo “Greed & Fear” em janeiro, citando riscos à segurança a longo prazo. Em resposta, desenvolvedores propuseram o BIP-360 para avançar a criptografia pós-quântica na Blockchain.
Mais recentemente, a empresa de trading quantitativo Jane Street foi apontada como possível responsável pela fraqueza do Bitcoin, após ser processada por suposta negociação com informações privilegiadas relacionada ao colapso do ecossistema Terra Luna em 2022. Contudo, especialistas explicam que as movimentações da Jane Street são típicas de estratégias delta-neutras.
Por fim, a queda de 5% nas ações da Nvidia após resultados financeiros fortes sugere um aumento do sentimento de aversão ao risco entre investidores, o que pode contribuir para a dificuldade do Bitcoin em superar a marca dos US$ 75 mil.







