Uma possível crise envolvendo criptomoedas está tomando força nos Estados Unidos após alegações de que um dos principais executivos responsáveis pela gestão de ativos digitais apreendidos pelo governo estaria ligado diretamente a um suspeito de roubo milionário de criptoativos.
De acordo com relatos recentes de crypto detective (investigador de blockchain) ZachXBT, John Daghita, identificado como filho de um alto executivo da empresa CMDSS, teria conseguido acesso a mais de US$ 40 milhões em criptomoedas confiscadas pelo governo norte-americano — fundos que deveriam estar sob custódia do Estado.

O pai de John é dono da CMDSS, que atualmente possui um contrato de TI ativo com o governo na Virgínia.
A CMDSS recebeu um contrato para auxiliar o Serviço Secreto dos EUA (USMS) no gerenciamento e descarte de criptoativos apreendidos/confiscados.
Ainda não está claro como John obteve acesso a esses dados por meio de seu pai.
CMDSS, empresa com contrato ativo com autoridades federais da Virgínia, tem como responsabilidade gerenciar e liquidar criptoativos apreendidos ou confiscados em casos de crime financeiro e lavagem de dinheiro, em parceria com o United States Marshals Service (USMS) — órgão responsável pela custódia de bilhões em bens de crime nos EUA.
O que levantou suspeitas
Segundo ZachXBT, o que torna o caso particularmente explosivo é o vínculo familiar entre Daghita e o CEO da CMDSS — o que, se confirmado, poderia representar um conflito de interesse excepcionalmente grave, potencialmente facilitando o acesso indevido a fundos que não pertencem a particulares.
Imediatamente após a divulgação das alegações, os canais oficiais da CMDSS — incluindo o site da empresa e perfis em redes sociais — foram tirados do ar, alimentando ainda mais a especulação sobre possíveis irregularidades e tentativas de controle de danos.
Por que isso importa
Embora detalhes formais e independentes ainda não tenham sido confirmados por órgãos oficiais, o caso chama atenção por dois motivos:
- Governança e transparência no setor cripto ainda são frágeis: Casos anteriores, como a derrocada da exchange FTX, liderada por Sam Bankman-Fried — condenado nos EUA por fraude e conspiração — mostram o impacto devastador que chefes de empresas de cripto podem causar quando controles internos falham.
- A segurança de fundos públicos está em jogo: Quando entidades privadas gerenciam ativos apreendidos pelo governo, espera-se rigor total. Qualquer suspeita de abuso ou acesso impróprio pode desencadear investigações federais e audiências no Congresso norte-americano, além de intensificar os chamados por regulação mais rígida do mercado cripto.
Contexto mais amplo
Nos últimos anos, o mercado de criptomoedas tem estado sob crescente escrutínio regulatório nos Estados Unidos. Um exemplo notório é o caso SEC v. Wahi, em que executivos de uma grande exchange foram acusados de insider trading envolvendo cripto ativos — um marco por ser o primeiro caso de insider trading cripto levado a tribunal federal.
Além disso, investigações federais continuam a mirar indivíduos e plataformas acusados de lavagem de dinheiro e fraude envolvendo ativos digitais, destacando o desafio constante de equilibrar inovação com conformidade legal.






