A demanda por contratos futuros de Bitcoin atingiu o menor nível desde 2024, indicando cautela entre investidores institucionais, apesar da valorização recente da criptomoeda. O Preço do Bitcoin subiu cerca de 10% após testar a faixa dos US$ 63 mil no último sábado, oferecendo um alento aos otimistas em meio a um cenário global de tensão crescente no Oriente Médio. Contudo, o interesse aberto nos futuros da moeda digital despencou, gerando dúvidas sobre a permanência dos grandes players no mercado.
Queda no interesse aberto
O interesse aberto agregado dos contratos futuros de Bitcoin nas principais bolsas caiu para US$ 32 bilhões no domingo, representando uma queda de 20% em relação ao mês anterior. Quando ajustado em termos de Bitcoin, para compensar a recente desvalorização, o interesse atual está no nível mais baixo desde agosto de 2024, com 491.300 BTC. Parte dessa redução é atribuída às liquidações forçadas de investidores otimistas surpreendidos pela volatilidade do mercado.
Desde o recorde histórico de US$ 126,2 mil em outubro de 2025, a procura por posições alavancadas de alta tem sido significativamente reduzida. A taxa anualizada dos contratos futuros mensais de Bitcoin caiu para 2%, seu ponto mais baixo em um ano, enquanto o esperado seria uma faixa entre 5% e 10% para compensar o prazo mais longo de liquidação. Esse indicador, conhecido como "basis rate", não conseguiu se manter em níveis otimistas nos últimos 12 meses, período que incluiu uma valorização de 50% entre abril e maio de 2025.
Instituições ainda presentes
Apesar do desempenho inferior do Bitcoin em comparação ao ouro e ao mercado de ações, evidências mostram que investidores institucionais continuam ativos. Fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin movimentam, em média, mais de US$ 3 bilhões diariamente, com participação de grandes gestores de fundos mútuos e de pensão. Além disso, empresas de capital aberto detêm mais de US$ 79 bilhões em Bitcoin em suas carteiras, entre elas Strategy (MSTR), MARA Holdings (MARA), XXI e Metaplanet (MPLTF). Países como Butão, El Salvador e Emirados Árabes Unidos também ampliaram sua exposição à criptomoeda.
Resiliência nos derivativos
O mercado de opções de Bitcoin demonstra que os derivativos continuam operando conforme o esperado, apesar das tentativas frustradas de retomar a marca dos US$ 72 mil. O prêmio put-to-call, que indica a preferência entre opções de venda e compra, manteve-se em torno de 0,7, sugerindo maior demanda por opções de compra. Uma breve alta nas estratégias pessimistas na última sexta-feira não se sustentou, mostrando ausência de estresse prolongado no mercado.
Embora o Bitcoin esteja sendo negociado atualmente cerca de 45% abaixo do seu pico histórico, não há sinais claros de que investidores institucionais tenham abandonado o mercado. O interesse aberto de US$ 7,5 bilhões em futuros de Bitcoin na CME reforça a atividade desses players. A dinâmica do mercado exige que toda ordem de venda seja equilibrada por uma ordem de compra, o que mantém a estabilidade.
Com o tempo, o medo e a incerteza tendem a diminuir, permitindo o retorno de compradores e o encerramento de ciclos de baixa. Ainda que não esteja definido se a faixa dos US$ 60 mil representa o fundo deste ciclo, o Bitcoin reafirma seu papel como ativo seguro e de oferta limitada. O mercado global de Criptomoedas, avaliado em cerca de US$ 1,4 trilhão, demonstra força e resistência diante dos desafios atuais.

