O presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, vive um dos momentos mais controversos de sua carreira à medida que seu mandato como presidente do banco central dos Estados Unidos se aproxima do fim em maio de 2026 — e ele pode continuar no Conselho de Governadores até 2028, mesmo sem a presidência.
Powell deve deixar a presidência em maio, mas pode ficar no Fed
Powell tem seu mandato como chair do Fed previsto para terminar em 15 de maio de 2026, após quase oito anos na liderança da instituição. No entanto, seu cargo como membro do Conselho de Governadores se estende até janeiro de 2028, o que abre a possibilidade de ele continuar influenciando decisões mesmo após sair da presidência.
Esse cenário não é comum — normalmente, ex-presidentes deixam também sua cadeira no conselho — mas não existe uma regra legal que obrigue Powell a sair do Fed ao perder a presidência.
Pressão política e investigação judicial
A permanência de Powell no Fed está sendo debatida em meio a uma investigação criminal do Departamento de Justiça dos EUA que o envolve por suposto testemunho falso sobre custos de obras no prédio do Fed. Powell afirma que a investigação é politicamente motivada e uma tentativa de pressioná-lo a sair antes do fim do mandato.
Embora o presidente Donald Trump tenha criticado Powell por sua gestão da política de juros, ele afirmou recentemente que não planeja demiti-lo de forma imediata.
Impactos no mercado financeiro tradicional
A possibilidade de Powell permanecer como governador após maio gera incerteza nos mercados tradicionais porque pode dificultar a administração Trump de controlar totalmente o banco central. Se Powell e outros membros favoráveis à independência do Fed continuarem no conselho, podem contrariar mudanças de política monetária que a Casa Branca deseja, como cortes mais agressivos nas taxas de juros.
Especialistas alertam que qualquer tentativa de politizar o Fed ou reduzir sua autonomia pode afetar a credibilidade da política monetária e aumentar a volatilidade do dólar e dos mercados de títulos.
O que isso significa para o mercado de criptomoedas
A transição no Fed tem impacto direto e indireto no universo cripto, porque o setor é sensível às expectativas de liquidez, inflação e taxas de juros — todos influenciados pelas decisões da autoridade monetária dos EUA.
1. Sensibilidade a taxas de juros e liquidez
Criptomoedas como Bitcoin e Ethereum tendem a reagir fortemente ao ambiente macroeconômico global. Uma política monetária mais dovish (favorável a juros baixos) geralmente aumenta a liquidez global, empurrando investidores para ativos de maior risco, incluindo cripto. Por outro lado, um Fed sob forte pressão política para manter juros mais altos pode desencorajar esse fluxo de capital.
2. Continuidade de Powell pode significar mais estabilidade para cripto
Durante sua gestão, Powell manteve uma postura neutral sobre cripto, sem proibições diretas, mas com foco em equilíbrio macro e estabilidade financeira. Isso ajudou o setor a se adaptar sem medidas punitivas, mesmo quando ativos como Bitcoin sofreram correções por causa de taxas elevadas.
Caso Powell permaneça no Conselho de Governadores, isso pode tranquilizar investidores cripto, já que sua experiência e foco em estabilidade poderiam reduzir a chance de ajustes abruptos na política que pudessem prejudicar ativos digitais.
3. Sucessão e direção futura da política cripto
Se o próximo presidente do Fed for alguém mais “dovish” ou com uma visão positiva sobre inovação financeira, isso também pode beneficiar o setor de criptomoedas — especialmente stablecoins e pagamentos digitais — abrindo portas para uma maior integração das tecnologias blockchain com o sistema financeiro tradicional.
Por outro lado, um presidente mais conservador poderia priorizar a estabilidade tradicional e regulamentação mais rígida para proteger o sistema financeiro, o que pode ser visto com cautela por traders cripto.






