O aumento dos preços do petróleo, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio, coloca o Bitcoin sob pressão no curto prazo, elevando o risco de queda para a faixa dos US$ 60 mil, segundo analistas do mercado. O barril de petróleo chegou a US$ 79,84 na manhã desta segunda-feira (horário asiático), maior valor em 15 meses, após ataques de drones iranianos à refinaria Ras Tanura, da Saudi Aramco, na Arábia Saudita.
Impacto no Mercado financeiro
O cenário de tensão geopolítica levou os principais índices acionários dos Estados Unidos, como S&P 500 e Nasdaq, a recuarem cerca de 1% durante o pregão. Além disso, as apostas em plataformas de mercado de previsão indicam uma probabilidade de 56% de o preço do petróleo ultrapassar US$ 90 por barril ainda em março, com 44% de chance de chegar a US$ 100.
Especialistas apontam que a alta do petróleo pode atrasar cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed), devido ao aumento da inflação gerado pelo encarecimento dos custos energéticos. Essa combinação eleva a vulnerabilidade do Bitcoin no curto prazo, podendo levar a uma pressão de venda e queda abaixo dos US$ 60 mil.
Variáveis geopolíticas e econômicas
O empreendedor do Mercado cripto Anthony Pompliano destacou que o fechamento do Estreito de Hormuz, uma rota estratégica para o transporte de petróleo, seria o principal fator para uma valorização abrupta dos preços das commodities, ao passo que o Bitcoin sofreria forte desvalorização. "Essa é a variável mais importante", afirmou.
Complementando essa visão, o analista BBX explicou que o aumento do preço do petróleo gera expectativas inflacionárias elevadas, o que pode manter as taxas de juros em patamares elevados por mais tempo. Por outro lado, Arthur Hayes, ex-CEO da exchange BitMEX, acredita que a intervenção dos EUA no Oriente Médio pode levar o Fed a reduzir as taxas ou a imprimir dinheiro para financiar o esforço bélico, o que beneficiaria o Bitcoin no médio prazo.
Padrões históricos indicam recuperação
Historicamente, o Bitcoin tende a apresentar desempenho inferior no curto prazo diante de choques inflacionários causados por alta nos preços do petróleo, mas supera essas quedas no médio e longo prazos. Durante a crise na Ucrânia em 2022, por exemplo, o petróleo subiu 50%, enquanto o Bitcoin recuou 18%. No entanto, em duas semanas, a criptomoeda recuperou-se e avançou 40%.
Eventos recentes, como o ataque do Hamas a Israel em 2023 e a ofensiva israelense contra o Irã em 2025, também seguiram esse padrão. Atualmente, o petróleo subiu cerca de 15% desde a última quinta-feira, chegando a US$ 79, em resposta às tensões no Oriente Médio e ao risco sobre rotas de transporte como o Estreito de Hormuz.
Do ponto de vista técnico, o petróleo tenta romper uma tendência de baixa que dura vários anos, movimento que historicamente antecede fortes altas no Preço do Bitcoin, com ganhos entre 100% e 200%, conforme análise do especialista Max Crypto.
O cenário atual sugere que, apesar dos riscos imediatos, o Bitcoin pode se beneficiar de uma recuperação após o período inicial de instabilidade causado pela alta do petróleo e as tensões geopolíticas no Oriente Médio.

