Segurança

Os 5 Maiores Hacks de Criptomoedas da História

TF
·
Os 5 Maiores Hacks de Criptomoedas da História
Compartilhar

Quando bilhões desaparecem em minutos

Em fevereiro de 2014, clientes da exchange Mt. Gox acordaram e simplesmente não conseguiram acessar seus fundos. Sem aviso. Sem explicação imediata. Apenas uma mensagem de erro onde deveria estar o saldo. No total, 850.000 bitcoins haviam sumido — o equivalente a mais de 40 bilhões de dólares pelos preços de 2024.

Esse episódio não foi isolado. Desde o surgimento das primeiras exchanges, hackers identificaram um alvo perfeito: plataformas que concentram enormes volumes de ativos digitais com proteções muitas vezes inadequadas.

💡 Entre 2011 e 2025, ataques a exchanges e protocolos de criptomoedas acumularam perdas superiores a 20 bilhões de dólares, segundo dados da Chainalysis.

O que poucos explicam é que esses roubos não foram obra de gênios incompreendidos. Na maioria dos casos, exploraram falhas conhecidas, negligência operacional ou simplesmente a ganância humana. Vamos ao que aconteceu.

$20B+Roubados em hacks (2011–2025)
850KBTC perdidos na Mt. Gox
$625MMaior hack em 1 único dia

1. Mt. Gox (2014) — O colapso que abalou o Bitcoin

1. Mt. Gox (2014) — O colapso que abalou o Bitcoin
1. Mt. Gox (2014) — O colapso que abalou o Bitcoin

A Mt. Gox chegou a processar 70% de todas as transações globais de Bitcoin em seu auge. Era a maior exchange do mundo, sediada em Tóquio, fundada por Jed McCaleb em 2010 e posteriormente vendida para Mark Karpelès.

O problema? A plataforma foi construída sobre uma base tecnológica frágil e gerenciada com controles financeiros quase inexistentes.

Entre 2011 e 2014, hackers exploraram uma vulnerabilidade chamada transaction malleability — uma falha no protocolo que permitia alterar o identificador de uma transação antes de ela ser confirmada na blockchain. Isso permitia que os invasores solicitassem reembolsos de saques que, tecnicamente, já tinham sido processados.

Mas aqui está o ponto: investigações posteriores apontaram que parte dos fundos pode ter sido desviada por dentro da própria empresa. Mark Karpelès foi preso no Japão em 2015 e condenado em 2019 por manipulação de dados — embora tenha sido absolvido de desfalque.

⚠️ Dos 850.000 BTC roubados, apenas 200.000 foram encontrados em carteiras frias esquecidas. O paradeiro do restante nunca foi totalmente esclarecido.
2010

Mt. Gox é comprada por Mark Karpelès
2011

Primeiros sinais de irregularidades internas
Fev/2014

Exchange suspende saques e declara falência
2024

Processo de reembolso parcial ainda em andamento

2. Ronin Network (2022) — O hack de $625 milhões

2. Ronin Network (2022) — O hack de $625 milhões
2. Ronin Network (2022) — O hack de $625 milhões

Em 23 de março de 2022, o grupo norte-coreano Lazarus Group realizou o maior hack de criptomoedas já registrado até aquela data. O alvo foi a Ronin Network, a sidechain do jogo Axie Infinity, desenvolvido pela Sky Mavis.

O método foi assustadoramente simples para um roubo dessa escala. A Ronin usava 9 validadores para aprovar transações — e exigia 5 assinaturas para autorizar movimentações. Os hackers comprometeram 4 validadores da Sky Mavis mais 1 validador da Axie DAO, que havia recebido acesso temporário meses antes e nunca teve esse acesso revogado.

Com 5 chaves em mãos, retiraram 173.600 ETH e 25,5 milhões de USDC — aproximadamente US$ 625 milhões na época.

“O ataque à Ronin demonstra que a engenharia social e o acesso privilegiado não revogado continuam sendo os vetores mais perigosos em qualquer sistema.”
Erin Plante — Vice-presidente de Investigações, Chainalysis

Curiosamente, o roubo só foi descoberto 6 dias depois, quando um usuário tentou sacar fundos e percebeu que não havia liquidez. A Sky Mavis reembolsou os usuários e, meses depois, o governo americano rastreou parte dos fundos ao Lazarus Group.

3. Poly Network (2021) — O ladrão que devolveu tudo

3. Poly Network (2021) — O ladrão que devolveu tudo
3. Poly Network (2021) — O ladrão que devolveu tudo

Em 10 de agosto de 2021, um hacker não identificado explorou uma falha nos smart contracts do protocolo Poly Network — uma plataforma de interoperabilidade entre blockchains — e transferiu US$ 611 milhões em tokens de uma só vez.

Foi o maior hack DeFi da história até então. Mas a história tomou um rumo surreal.

Pense assim: o hacker, em vez de sumir, começou a se comunicar publicamente pela própria blockchain, deixando mensagens dentro das transações. Afirmou que havia feito o ataque “por diversão” e para expor a vulnerabilidade. Nos dias seguintes, devolveu a totalidade dos fundos — incluindo os US$ 33 milhões que a equipe do DeFi havia temporariamente congelado.

💡 A Poly Network chegou a oferecer ao hacker uma recompensa de US$ 500.000 e o cargo de “Chief Security Advisor”. Ele recusou o dinheiro, mas aceitou um NFT simbólico.

O episódio expôs uma realidade incômoda: protocolos DeFi podem ser auditados e ainda assim conter falhas críticas em lógica de permissões entre contratos.

4. Coincheck (2018) — $530 milhões em NEM roubados

4. Coincheck (2018) — $530 milhões em NEM roubados
4. Coincheck (2018) — $530 milhões em NEM roubados

Em 26 de janeiro de 2018, a exchange japonesa Coincheck sofreu um ataque que resultou no roubo de 523 milhões de tokens NEM, avaliados em US$ 530 milhões na época.

A causa foi elementar: todos os tokens estavam armazenados em uma única carteira quente (hot wallet), conectada permanentemente à internet. Sem multisig. Sem cold storage. Sem separação de ativos.

A Coincheck sabia dos riscos — e escolheu não agir. Em depoimentos posteriores, executivos admitiram que a equipe técnica era pequena demais para implementar as salvaguardas necessárias.

⚠️ A Coincheck reembolsou os 260.000 clientes afetados com recursos próprios — um total de 46,6 bilhões de ienes. Poucos meses depois, foi adquirida pelo grupo Monex.

A Agência de Serviços Financeiros do Japão (FSA) emitiu ordens de melhoria para várias exchanges após o incidente e endureceu drasticamente as exigências de custódia no país.

5. FTX (2022) — Crime ou hack? Os $400 milhões na noite da falência

5. FTX (2022) — Crime ou hack? Os $400 milhões na noite da falência
5. FTX (2022) — Crime ou hack? Os $400 milhões na noite da falência

Na madrugada de 11 para 12 de novembro de 2022, horas após a FTX declarar falência, US$ 400 milhões em criptoativos começaram a sair misteriosamente das carteiras da exchange.

Mas espera — isso foi um hack externo ou uma fuga interna? A questão nunca foi completamente resolvida.

O administrador de falências John Ray III afirmou não ter informações suficientes para distinguir roubos de movimentos internos não autorizados. Investigadores identificaram posteriormente que parte dos fundos havia sido convertida em Ethereum e outros ativos para dificultar o rastreamento.

Em 2023, o governo americano acusou Ryan Salame, ex-co-CEO da FTX Digital Markets, de crimes relacionados à fraude. E o próprio Sam Bankman-Fried foi condenado a 25 anos de prisão por fraude e lavagem de dinheiro — embora as acusações envolvessem muito mais do que o episódio de novembro.

“A FTX não foi só um hack. Foi o colapso de uma cultura organizacional onde não havia separação entre os ativos da empresa e os dos clientes.”
John Ray III — Administrador de falências da FTX

O que esses ataques têm em comum — e o que você aprende com eles

Analisando os 5 casos, alguns padrões se repetem com uma consistência quase didática:

  • Centralização excessiva: guardar todos os ativos em um único ponto de acesso é o erro mais caro do setor.
  • Permissões não revogadas: como no caso Ronin, acessos temporários esquecidos viraram portas abertas.
  • Equipes técnicas subdimensionadas: crescimento rápido sem infraestrutura de segurança proporcional.
  • Ausência de auditorias independentes: smart contracts e sistemas de custódia sem revisão externa.
  • Confiança excessiva em atores internos: da Mt. Gox à FTX, o inimigo muitas vezes estava dentro de casa.
Se você mantém criptoativos em exchanges, considere transferir parte para uma carteira de autocustódia (hardware wallet). Nenhuma exchange — por maior que seja — é imune a ataques.

A história desses hacks não é apenas um catálogo de tragédias financeiras. É um guia prático do que não fazer — e, infelizmente, uma lição que o mercado precisa reaprender a cada ciclo.

A segurança em cripto começa com uma pergunta simples: você sabe onde suas chaves estão?

Gostou? Compartilhe
Tor Field
Escrito por
Tor Field
Especialista em Criptomoedas
373 artigos · 07/06/2026

Thor Field é mentor de diversos projetos na internet desde 2009, guiando equipes e ideias com experiência prática acumulada ao longo de mais de uma década. Entusiasta apaixonado por criptomoedas,…

Ver todos os artigos →
Aviso: Conteúdo educativo. Não é recomendação de investimento. Disclaimer completo →
✅ Conteúdo verificado 📊 Dados ao vivo 🔒 HTTPS 🇧🇷 Brasil