O preço do Bitcoin (BTC) enfrentou uma queda acentuada nas últimas semanas, marcando um dos movimentos de desvalorização mais fortes desde o recorde histórico registrado em outubro de 2025. Segundo o Deutsche Bank, um dos maiores bancos da Europa, essa queda não se deve a um “colapso total do mercado”, mas a uma combinação de fatores que enfraqueceram a confiança dos investidores e mudaram a dinâmica do mercado de criptoativos.
Queda expressiva após máximos históricos
Nos últimos meses, o Bitcoin acumulou uma queda que já ultrapassa 32% em relação ao seu recorde de cerca de USD 126.000 em outubro de 2025. A criptomoeda chegou a perder valores abaixo de USD 65.000, algo que não ocorria desde novembro de 2024, gerando preocupação entre investidores institucionais e de varejo.

Preço do Bitcoin agora
Deutsche Bank: confiança em baixa
Os estrategistas do Deutsche Bank — Marion Laboure e Camila Siazon — afirmam que a principal causa da desvalorização não é um defeito estrutural do mercado, mas sim um enfraquecimento da confiança entre grandes investidores e instituições financeiras.
Eles destacam que o sentimento coletivo dos investidores, especialmente institucionais, é um componente essencial para a valorização do Bitcoin — uma ideia descrita por eles como o “efeito Tinkerbell”, que sugere que o valor da criptomoeda depende em parte da crença dos participantes de mercado.
Cinco fatores que estão pressionando o Bitcoin
O Deutsche Bank aponta cinco grandes forças que estão contribuindo para a queda do Bitcoin:
- Aversão ao risco nos mercados financeiros
O clima global de investimento está mais cauteloso, com quedas acentuadas em ações e ativos de risco. Isso se reflete também no desempenho do Bitcoin, que segue fortemente correlacionado a esse sentimento de risco. - Incerteza sobre a política monetária dos EUA
Investidores estão menos confiantes em relação à postura futura do Federal Reserve (Fed), que pode adotar posições mais rígidas para conter inflação, reduzindo o apetite por ativos mais voláteis como criptomoedas. - Regulação estagnada
A falta de avanços claros nas regulações de cripto nos principais mercados, como os Estados Unidos, deixou muitos fundos institucionais cautelosos, dificultando maior entrada de capital. - Saída de capital institucional
Fundos negociados em bolsa (ETFs) de Bitcoin vêm registrando retiradas significativas de capital, reduzindo a liquidez no mercado e amplificando as quedas de preço. - Realização de lucros por grandes investidores
Mesmo os detentores de longo prazo — historicamente mais resistentes a vender — começaram a realizar lucros, aumentando a pressão vendedora e acelerando a correção.
Correção pode ser parte de evolução, não falência
Segundo os analistas, essa retração no preço não indica necessariamente que o mercado de Bitcoin “quebrou”. Em vez disso, pode ser vista como uma fase de ajuste — um teste de maturidade para a moeda digital, em que o ativo precisa superar desafios de liquidez, confiança e integração a mercados financeiros tradicionais para seguir crescendo.
O que isso significa para o futuro?
Embora o cenário atual seja de volatilidade e incerteza, muitos especialistas afirmam que ciclos de alta e baixa sempre fizeram parte da história do Bitcoin. A grande questão agora é se o mercado encontrará novos catalisadores, como maiores clarezas regulatórias ou retorno de apetite por risco, capazes de impulsionar uma recuperação sustentável.







