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Tempestade de Inverno nos EUA Derruba Hashrate do Bitcoin, Mas Mercados Ignoram o Impacto

Geraldo Manuel
janeiro 27, 2026

Uma forte tempestade de inverno que varreu grande parte dos Estados Unidos provocou uma queda significativa no hashrate da rede Bitcoin — a medida da capacidade computacional que assegura e processa transações na blockchain — sem, no entanto, abalar de forma relevante o preço ou o sentimento dos mercados.

Queda de Hashrate e Operações Reduzidas

Hashrate do Bitcoin Hoje Fonte: coinwarz

À medida que a tempestade ártica conhecida como Fern trouxe temperaturas congelantes, neve, gelo e quedas de energia para dezenas de estados, grandes operações de mineração reagiram cortando voluntariamente seu consumo de eletricidade. Isso teve um impacto direto na taxa de hashing da rede:

  • A métrica global de hashrate ficou cerca de 10% inferior ao normal, refletindo a retirada temporária de poder de processamento.
  • Foundry USA, o maior pool de mineração do mundo, viu sua participação despencar até 60%, resultando em uma perda de cerca de 200 exahashes por segundo (EH/s) de capacidade.
  • Outras pools, como Luxor, também reduziram suas operações em resposta à pressão sobre redes elétricas regionais.

Essas quedas temporárias estenderam o tempo médio de produção de blocos — que normalmente gira em torno de 10 minutos — para cerca de 12 minutos, sinalizando a sensibilidade da rede diante de quedas abruptas de hash.

Mineração como “Carga Flexível” da Rede Elétrica

O episódio serviu como um teste de resistência para um aspecto cada vez mais discutido no setor: a capacidade dos mineradores de Bitcoin de funcionar como cargas controláveis na malha elétrica. Em momentos de alta demanda por energia, operadores optam por desligar equipamentos para aliviar o estresse nas redes, ajudando a prevenir apagões e contribuindo para a estabilidade do sistema elétrico.

Esse modelo — em que grandes fazendas de mineração reduzem ou interrompem operações sob orientação das concessionárias — tem se tornado uma peça estratégica de gestão energética em regiões como os estados centrais e nordestinos dos EUA.

Reação dos Mercados e Perspectiva do Preço

Apesar de ser um evento significativo para a infraestrutura de mineração, os mercados de criptomoedas responderam de forma relativamente calma:

  • O preço do Bitcoin se manteve estável, com movimentos modestos na faixa de negociação, sem grandes quedas ou picos diretamente atribuíveis à tempestade.
  • Analistas de mercado interpretam a reação do preço como um sinal de que investidores estão focados em fatores macroeconômicos mais amplos, como dados econômicos dos EUA, expectativas de política monetária e tendências de adoção institucional.

Essa resiliência sugere que, embora o hashrate represente um componente técnico essencial da rede, flutuações temporárias — especialmente quando esperadas ou bem compreendidas — tendem a ter impacto limitado no preço de mercado no curto prazo.

O Que Isso Significa Para o Futuro

A tempestade de inverno Fern reforça dois pontos importantes no debate sobre a sustentabilidade e segurança do Bitcoin:

  1. Vulnerabilidade à infraestrutura local: eventos climáticos extremos podem afetar significativamente mineração em grande escala, especialmente em regiões que respondem por grande parte do hashrate global.
  2. Importância das respostas de demanda: o uso de mineradores como cargas flexíveis pode oferecer benefícios reais às redes elétricas — mas também cria novas dependências e desafios operacionais para a indústria.

À medida que tecnologias climáticas, de energia limpa e redes inteligentes se desenvolvem, a integração entre mineração e sistemas elétricos continuará sendo um tema central no debate sobre o futuro do Bitcoin e das criptomoedas como um todo.

⚠️ Aviso Importante: Este artigo é apenas informativo e não constitui recomendação ou conselho de investimento. Criptomoedas são ativos de alto risco. Consulte um profissional qualificado antes de investir. Leia o disclaimer completo.

Geraldo Manuel

Escritor e especialista em geopolítica, Geraldo Manoel acompanha o mercado de criptomoedas desde 2018. Com experiência na análise de cenários globais e seus impactos no setor cripto, escreve para o Coin360 desde 2023, trazendo conteúdos voltados à compreensão estratégica do mercado e suas movimentações.
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