Seis investidores da plataforma Polymarket lucraram cerca de US$ 1 milhão ao apostar corretamente que os Estados Unidos atacariam o Irã antes do fim de fevereiro, levantando suspeitas de uso de informação privilegiada. As carteiras digitais usadas por esses traders foram criadas em fevereiro e concentraram quase todas as suas operações em contratos que previam o momento de um possível ataque americano, segundo dados da empresa de análise Bubblemaps SA, citados pela Bloomberg.
Suspeitas de informação privilegiada
Em vários casos, as apostas foram feitas horas antes de explosões serem reportadas em Teerã, com contratos adquiridos por valores próximos a US$ 0,10. Esse padrão chamou a atenção de investigadores onchain, que apontaram semelhanças com comportamentos associados a uso de informações privilegiadas em mercados de previsão. Nicolas Vaiman, CEO da Bubblemaps, destacou que em situações envolvendo guerra ou conflito, informações podem circular em círculos restritos antes de se tornarem públicas. Ele também ressaltou que a estrutura da Polymarket, que exige apenas uma carteira digital para operar, facilita um alto nível de anonimato, incentivando participantes informados a agir antecipadamente.
Até o momento, a Polymarket não se pronunciou sobre o caso.
Volume recorde em contratos relacionados ao Irã
Durante a escalada recente, mais de US$ 529 milhões foram movimentados em contratos ligados a ataques no Polymarket. O contrato com data para 28 de fevereiro registrou cerca de US$ 90 milhões em volume, tornando-se o mais negociado entre os traders. Um cenário para 31 de janeiro também chamou atenção, com aproximadamente US$ 42 milhões em movimentações.
Um dos perfis investigados havia perdido dinheiro em uma previsão anterior, mas depois fez uma aposta maior que gerou mais de US$ 170 mil em retorno, o que indica que as operações isoladamente não comprovam irregularidades. Além disso, autoridades americanas haviam alertado publicamente sobre a possibilidade de ação militar semanas antes, atraindo especuladores para a plataforma.
Outros casos e medidas regulatórias
Casos semelhantes de suspeita de insider trading já foram registrados na Polymarket. Recentemente, um grupo de carteiras digitais faturou mais de US$ 1,2 milhão ao apostar em um contrato relacionado a uma investigação onchain sobre a plataforma DeFi Axiom, pouco antes do investigador ZachXBT revelar indícios de uso de informação privilegiada por funcionários da empresa desde o início de 2025.
No mês anterior, uma carteira da Polymarket ganhou cerca de US$ 400 mil ao apostar na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, pouco antes da notícia se tornar pública, o que também levantou questionamentos sobre possíveis práticas ilegais.
Legislação em tramitação nos EUA
Para combater o problema, o deputado americano Ritchie Torres está preparando um projeto de lei chamado Public Integrity in Financial Prediction Markets Act of 2026, que visa proibir o uso de informações privilegiadas em plataformas de previsão. A proposta pretende impedir que agentes públicos, indicados políticos e funcionários do executivo negociem contratos relacionados a políticas governamentais ou resultados políticos quando tiverem acesso a informações não públicas.
Desafios regulatórios globais
A Polymarket enfrenta ainda uma série de ações regulatórias em diversos países. Nações como Holanda, Hungria, Bélgica, França, Itália, Romênia, Polônia, Singapura e Portugal proibiram ou bloquearam a plataforma, classificando seus contratos baseados em eventos como jogos de azar online não licenciados, em vez de negociações financeiras.
Esses episódios ressaltam a complexidade e os desafios de regulamentar mercados de previsão baseados em Criptomoedas, que combinam anonimato e rapidez, facilitando tanto a inovação quanto potenciais práticas ilícitas.

