A dificuldade de Mineração do Bitcoin sofreu uma queda de 7,76% em seu mais recente ajuste, um reflexo das dificuldades enfrentadas pelos mineradores enquanto a criptomoeda opera em torno de US$ 70.000. Essa modificação no sistema é diretamente relacionada à variação do poder computacional da rede, conhecido como Hashrate.
Um estudo da F2Pool indica que apenas alguns modelos de ASICs, equipamentos especializados na mineração, estão proporcionando lucros aos seus proprietários, o que explica essa diminuição na dificuldade.
Entendendo a dificuldade de mineração
A criação do Bitcoin por Satoshi Nakamoto envolveu um detalhado planejamento para garantir que o tempo médio de geração de blocos fosse de aproximadamente 10 minutos. Para isso, um mecanismo ajusta a dificuldade a cada 2.016 blocos, ou cerca de duas semanas. Se o tempo para encontrar blocos for inferior a este padrão, a dificuldade aumenta, tornando o processo mais demorado. O oposto ocorre quando o tempo médio ultrapassa os 10 minutos.
Neste último fim de semana, a dificuldade de mineração teve um ajuste negativo significativo, sendo o segundo maior do ano, após uma queda de 11% no início de fevereiro. Em comparação, durante o banimento da mineração na China em 2021, a dificuldade enfrentou três ajustes negativos consecutivos, com perdas de aproximadamente 13%, 16% e 28%.
Desafios para os mineradores
Os mineradores estão enfrentando pressões por dois fatores principais: o halving de 2024, que reduziu a recompensa por bloco de 6,25 para 3,125 bitcoins, e a queda de 44% no preço da criptomoeda em relação ao seu pico histórico em outubro. Um levantamento da F2Pool, divulgado nesta segunda-feira (23), mostra que poucos equipamentos continuam rentáveis com o preço atual do Bitcoin, mesmo após o ajuste na dificuldade.
A F2Pool afirmou: “Com a redução da competição, as recompensas por TH/s aumentaram. Com o BTC a US$ 68 mil, mineradoras com potência unitária abaixo de 22 W/T estão operando com lucro.” No entanto, um minerador que utiliza uma M53 da Whatsminer gasta 1,3 BTC em energia para minerar 1 Bitcoin, e o custo da energia é de US$ 0,06 (cerca de R$ 0,31). Mineradoras que pagam mais do que isso enfrentam desafios ainda maiores.
Além dos custos de energia, outros fatores, como salários e manutenção dos equipamentos, também devem ser considerados. De acordo com o modelo de dificuldade da Checkonchain, estima-se que os mineradores estão gastando US$ 82.600 para minerar 1 Bitcoin, que está cotado a US$ 70.500. Isso resulta em um prejuízo de US$ 12.100 por moeda.
Mudanças no setor de mineração
Nos últimos anos, muitas mineradoras de Bitcoin têm reduzido suas operações. Em 2023, diversas empresas começaram a mudar seu foco para atender à demanda crescente por inteligência artificial. Essa mudança também contribui para a pressão sobre o preço do Bitcoin. Por exemplo, a Bitdeer (NASDAQ: BTDR) vendeu todas as suas Criptomoedas em fevereiro, enquanto a Mara Holdings, que possui a segunda maior reserva de bitcoins do mundo, considerou se desfazer de suas moedas.
Embora grandes mineradoras possam sobreviver, provavelmente irão se concentrar em outros setores. O Bitcoin, por sua vez, foi projetado para se adaptar a flutuações na dificuldade de mineração. Com a entrada e saída de mineradores, a rede ajusta-se a cada duas semanas para manter o tempo médio de blocos em 10 minutos, garantindo assim a continuidade das transações.
