A abertura do HIP-4 para implantações permissionless por terceiros, concluída em 29 de agosto de 2026, ampliou o espaço para builders utilizarem a infraestrutura da Hyperliquid. Segundo documento protocolado na SEC, em 8 de setembro havia três builders de terceiros fazendo staking de HYPE. O dado reforça o potencial de expansão da atividade, mas não comprova demanda recorrente pelo token.
Em 19 de setembro de 2026, o HYPE acumulava alta de 16,28% em sete dias e de 25,74% em 30 dias, segundo os dados de mercado fornecidos. A valorização recente não pode ser atribuída a uma causa única confirmada. Também não foi localizada, entre 12 e 19 de setembro, uma atualização primária que sustentasse relação direta entre um evento específico e o movimento do ativo.
Preço nos últimos 365 dias
Projeção condicional ano a ano
O cenário central prolonga apenas uma fração reduzida da tendência histórica anualizada, limitada entre queda de 6% e alta de 24% ao ano. O cenário otimista é uma hipótese de expansão calibrada por capitalização, ranking, idade, volatilidade, histórico e oferta do ativo. Para este perfil média capitalização, a referência extrema calculada é de até 20,3x em cinco anos e 56,8x em dez anos. Não é meta de preço nem recomendação.
| Ano | Cenário pessimista | Cenário central | Cenário otimista |
|---|---|---|---|
| 2027 | USD 54,34 | USD 102 | USD 169 |
| 2028 | USD 31,88 | USD 113 | USD 309 |
A previsão do HYPE para 2028 é condicional. A relevância do ativo pode continuar crescendo se a expansão dos mercados gerar uso persistente, taxas suficientes e demanda capaz de absorver a oferta liberada. Sem esses elementos, a trajetória pode perder força mesmo que a infraestrutura continue operacional.
Para entender como redes e tokens podem ser estruturados, o guia sobre como criar uma criptomoeda ajuda a separar a construção da rede, o mecanismo de consenso e a função econômica do ativo.
HIP-3 e HIP-4 ampliam o potencial de uso
O HIP-3 permite que builders lancem mercados perpétuos permissionless usando a infraestrutura da Hyperliquid. A documentação informa que a implantação em mainnet exige staking de 500 mil HYPE, sujeito a condições de manutenção e possível slashing.
Um documento protocolado na SEC informou que, em 8 de setembro de 2026, os mercados HIP-3 representavam aproximadamente 30% do volume total da Hyperliquid nos 30 dias anteriores. O documento também registrou mais de US$ 548,1 bilhões em volume acumulado desde o lançamento, mas ressalvou que não há garantia de que esse fluxo gere demanda adicional sustentável por HYPE.
O mesmo documento informou que o volume diário agregado do HIP-4 chegou a aproximadamente US$ 445,8 milhões em 8 de setembro, após a abertura para terceiros. O número indica atividade inicial, mas não demonstra que o crescimento será persistente nem que se converterá integralmente em compras, retenção ou staking do token.
A inferência mais prudente é que o mercado possa estar considerando a expansão da infraestrutura e a maior utilidade do HYPE. Ainda assim, a relação entre o volume dos mercados e a valorização do ativo permanece não comprovada.
Utilidade, taxas e capacidade da rede

A documentação da Hyperliquid descreve o HYPE como ativo usado para proteger a rede, pagar custos, obter descontos de negociação e operar como gás nativo da HyperEVM. Essas funções dão ao token uma utilidade diretamente ligada à operação do ecossistema.
As taxas do protocolo são direcionadas à comunidade, ao HLP, ao Assistance Fund e aos deployers. O HYPE comprado pelo Assistance Fund é queimado, assim como as taxas de gás da HyperEVM. Se a atividade permanecer elevada, as queimas podem compensar parte da emissão, mas o efeito dependerá da relação entre os tokens liberados e os removidos da oferta.
A infraestrutura combina HyperCore e HyperEVM no mesmo estado de execução e utiliza o consenso HyperBFT. A documentação informa capacidade aproximada de 200 mil ordens por segundo, mas esse número é uma especificação declarada pelo projeto, não uma medição independente apresentada nesta apuração. Por isso, a adoção deve ser avaliada pelo uso recorrente, e não apenas pela capacidade anunciada.
O comparativo entre blockchain e banco de dados oferece contexto para avaliar por que capacidade técnica, consenso e execução não equivalem automaticamente a adoção econômica.
Oferta e concentração adicionam riscos
A oferta máxima do HYPE é de 1 bilhão de tokens. A distribuição informada à SEC reserva 31% ao airdrop inicial, 38,89% a emissões e recompensas futuras, 23,8% a contribuidores principais, 6% à Hyper Foundation, 0,3% a grants comunitários e aproximadamente 0,012% a iniciativas específicas.
Os tokens destinados aos contribuidores principais começaram a entrar em vesting mensal em novembro de 2025, com conclusão esperada entre 2027 e 2028. Essa liberação cria uma fonte potencial de oferta durante o horizonte da previsão. Para que a tese construtiva prevaleça, a expansão do uso precisará absorver os tokens liberados sem deteriorar a confiança dos participantes.
O conjunto ativo de validadores é formado pelos 24 maiores por participação. O consenso exige quórum superior a dois terços do total, há uma fila de sete dias para retirada e a documentação informa que não existe slashing automático geral. A estrutura pode favorecer a previsibilidade operacional, mas concentra a validação em um grupo limitado e envolve riscos de governança, disponibilidade e segurança.
A concorrência entre exchanges descentralizadas também permanece relevante. O HIP-3 amplia a oferta de mercados, mas pode facilitar a entrada de novos projetos e reduzir a diferenciação da Hyperliquid. Incidentes na infraestrutura, falhas em contratos ou problemas de liquidez poderiam interromper a atividade e mudar rapidamente a percepção sobre o token.
Para acompanhar esses riscos, o conteúdo sobre grandes ataques em criptomoedas ajuda a distinguir falhas técnicas, comprometimento de interfaces e perdas relacionadas à custódia.
Regulação limita a expansão internacional
A autoridade financeira britânica publicou um alerta sobre a Hyperliquid em 21 de maio de 2026 e o atualizou em 7 de junho. O alerta confirma risco regulatório e possibilidade de restrições jurisdicionais para usuários e interfaces relacionadas ao projeto. Esse fator pode afetar acesso, liquidez e expansão internacional, mesmo que a atividade on-chain continue crescendo.
Não há, na apuração fornecida, informação suficiente para medir o efeito das condições gerais do mercado sobre o HYPE. A alta recente, portanto, não deve ser tratada como prova de uma tendência independente do ambiente externo. Também não existe confirmação de que o crescimento do HIP-3 ou do HIP-4 se transforme em demanda permanente pelo token.
O que acompanhar no HYPE até 2028
A perspectiva construtiva será fortalecida se os mercados HIP-3 e HIP-4 preservarem atividade recorrente, se novos builders continuarem utilizando a infraestrutura, se as taxas mantiverem o mecanismo de queima relevante e se a demanda absorver o vesting dos contribuidores.
A tese perde força se a atividade cair, se a emissão superar claramente a queima, se surgirem incidentes de segurança ou se restrições regulatórias limitarem o acesso. A concorrência também pode reduzir a participação da Hyperliquid e limitar a captura de valor pelo HYPE.
Para quem acompanha o ativo, os principais pontos de verificação são a adoção efetiva dos mercados, a captura de valor pelo token, o cronograma de oferta, a concentração de validadores e as decisões regulatórias. Até que esses fatores evoluam de forma consistente, a melhor descrição para os próximos dois anos é de viés estruturalmente construtivo, mas sujeito a elevada incerteza operacional e externa.
Fontes consultadas: SEC, Hyperliquid Docs, Financial Conduct Authority.