Receita Federal aplica multa milionária a negociador de Bitcoin por suposta omissão de rendimentos
A Receita Federal está cobrando R$ 13 milhões de um negociador de Bitcoin que atuava no mercado P2P, referente a movimentações financeiras realizadas em 2017. O valor inclui R$ 6 milhões de imposto devido e o restante corresponde a multas aplicadas pela fiscalização.
Cobrança e defesa do contribuinte
De acordo com o processo administrativo, o contribuinte teria omitido rendimentos superiores a R$ 11,7 milhões no ano-calendário de 2017, relacionados a movimentações que totalizaram cerca de R$ 32 milhões. A Receita sustenta que o valor integral das operações deve ser tributado, pois não foi comprovado que o negociador atuava apenas como intermediador, recebendo comissão sobre as transações.
Na defesa apresentada ao Conselho de Administração de Recursos Fiscais (CARF), o negociador afirma que não obteve rendimentos próprios, mas apenas comissões sobre os valores movimentados. Ele também destacou que apresentou documentos, extratos bancários, prints de conversas e outras provas para demonstrar a transparência das operações. O contribuinte argumenta que, na época, a regulamentação e o controle sobre Criptomoedas eram limitados, dificultando a comprovação detalhada das origens das transações.
Decisão e análise especializada
O CARF manteve a decisão da Receita, rejeitando a tese de intermediação sem comprovação documental robusta, como contratos formais e segregação patrimonial. A tributação foi aplicada sobre o montante total movimentado, e não apenas sobre as comissões alegadas.
Ana Paula Rabello, especialista em tributação de criptomoedas, comentou o caso ressaltando que a ausência de contratos formais e de rastreabilidade individual das operações foram fatores decisivos para a cobrança. Segundo ela, a falta de documentação adequada levou à tributação integral dos valores movimentados.
Contexto do Mercado de Criptomoedas em 2017
Em 2017, o mercado de criptomoedas no Brasil ainda estava em fase inicial, com pouca regulamentação e escassez de mecanismos para comprovação detalhada das operações. Isso gerou desafios para contribuintes e autoridades fiscais na definição e fiscalização dos rendimentos provenientes dessas atividades.
A situação evidencia a complexidade tributária envolvendo criptomoedas e a importância de manter documentação clara e formalizada para evitar autuações fiscais elevadas. O caso também reforça a necessidade de maior regulamentação e transparência no mercado de ativos digitais no país.







