Uma proposta para obrigar o Banco Nacional Suíço a manter bitcoin como parte de suas reservas não conseguiu reunir o número necessário de assinaturas para um referendo nacional e está prestes a ser encerrada, segundo informações da Reuters. A iniciativa visava emendar a constituição da Suíça, exigindo que a instituição central mantivesse Bitcoin (BTC), além de ouro e ativos em moeda estrangeira. Contudo, os organizadores informaram que conseguiram apenas cerca de 50 mil das 100 mil assinaturas exigidas pela legislação suíça.
O Banco Nacional Suíço (SNB) tem se oposto consistentemente à inclusão de Criptomoedas em suas reservas, argumentando que os ativos digitais não atendem aos critérios de gestão de reservas devido a preocupações com a volatilidade e a liquidez. Em entrevista à Reuters, o fundador da campanha, Yves Bennaim, reconheceu que o sucesso da iniciativa era improvável, mas destacou que a proposta ajudou a estimular o debate sobre o papel do Bitcoin nas finanças globais.
Os apoiadores da proposta afirmaram que o Bitcoin poderia contribuir para diversificar as reservas da Suíça, reduzindo a dependência de ativos denominados em dólar e euro, que representam aproximadamente três quartos das reservas em moeda estrangeira do SNB.
Experiências internacionais
Enquanto o ano de 2025 viu um aumento na adoção do Bitcoin por empresas de capital aberto, a incorporação da criptomoeda como ativo de reserva por países tem sido limitada.
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El Salvador foi o primeiro país a adotar formalmente o Bitcoin como parte de sua estratégia de reservas soberanas, após o presidente Nayib Bukele iniciar compras de BTC em 2021, juntamente com a legalização da criptomoeda no país. Atualmente, El Salvador possui 7.645 BTC, de acordo com dados da BitcoinTreasuries.com.
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Butão, um dos maiores detentores soberanos de Bitcoin, construiu grande parte de suas reservas através de operações de Mineração apoiadas pelo Estado, utilizando energia hidrelétrica excedente. Essa estratégia Visa transformar a energia renovável em uma exportação digital e expandir a participação do país no financiamento de criptomoedas. No entanto, dados da Arkham Intelligence indicam que as carteiras ligadas ao Butão reduziram significativamente suas reservas nos últimos meses, caindo de cerca de 13.000 BTC no final de 2024 para aproximadamente 3.654 BTC em abril de 2026, após uma série de grandes transferências e vendas.
Diferentemente de El Salvador e Butão, que adquiriram Bitcoin ativamente, os três maiores detentores soberanos da criptomoeda — Estados Unidos, China e Reino Unido — obtiveram suas participações principalmente por meio de apreensões criminais e processos de confisco.
Ações dos EUA
Em 6 de março de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva estabelecendo uma Reserva Estratégica de Bitcoin, capitalizada com a criptomoeda detida pelo governo. A ordem estipula que o BTC mantido pela reserva “não será vendido” e será mantido como ativos de reserva dos EUA. Embora a medida permita que oficiais do Tesouro e do Comércio explorem estratégias orçamentárias para adquirir Bitcoin adicional, a reserva é inicialmente sustentada por BTC já detido pelo governo.
O cenário internacional em relação ao Bitcoin continua a evoluir, com diferentes países adotando abordagens variadas para integrar a criptomoeda em suas economias e reservas.



